São Leopoldo - O Clube Esportivo Aimoré havia anunciado na semana passada que anteciparia as eleições para presidente. Com isso, a expectativa de haver futebol no próximo semestre aumentou bastante entre os torcedores. No entanto, ontem, o único candidato a presidente, Márcio Picoli, afirmou que o Aimoré não disputará a Copa da Federação, a Copinha, no segundo semestre. Ele diz que a ideia é estruturar o clube e em outubro começar a pensar nos nomes que trabalharão no futebol na sua gestão. A data da pleito para nova diretoria ainda não está definida.
Entrevista/Márcio Picoli
Aos 37 anos, o morador do bairro Independência quer colocar o Aimoré entre os grandes do futebol gaúcho. Aposta no seu sucesso profissional e no bom relacionamentos com os empresários da cidade para aproximar clube e comunidade.
Jornal VS - Ainda quando era diretor de patrimônio você havia dito que não seria o próximo presidente. O que o fez mudar de ideia?
Márcio Picoli - Quando o Sandro Borowski convidou, a ideia era ajudar. Não queria saber do futebol, somente do patrimônio. Mas com o passar do tempo fui me envolvendo cada vez mais. Hoje, o meu nome surge por dois motivos: para dar continuidade a esse trabalho que começamos e também porque não há outro nome.
VS - A antecipação das eleições dava a entender que haveria futebol no segundo semestre, tanto que a expectativa em torno do seu nome era essa. O que houve?
Picoli - Minha vontade é fazer, mas não temos dinheiro. Tentamos algumas parcerias, mas não deram certo.
VS - O que o clube fará neste segundo semestre?
Picoli - Daremos continuidade às obras. Queremos deixar tudo pronto para em 2011 nos dedicarmos somente para o profissional.
VS - E o futebol?
Picoli - Trabalharemos a base. Não é o que todos falam? Começamos com as escolinhas. Depois será o juniores, assim plantaremos e deveremos colher em um futuro próximo.
VS - Mas e dinheiro para isso? Quem ajudará um time que não tem futebol profissional?
Picoli - Temos parceiros. Existem empresas que ajudam com R$ 1 a 1,5 mil por mês. Para fazer futebol profissional não dá, mas com esse dinheiro conseguimos colocar a casa em ordem.
VS - A GRA Sport continua?
Picoli - Continua. Por meio dela vários empresários frequentam o Aimoré.
VS - Como está o problema com o pessoal que administra o restaurante?
Picoli - Está com o nosso jurídico. Tentamos negociar mas não deu. Então ficou por conta do Guto (Luís Augusto Luz, advogado do clube).
VS - Sandro Borowski terá uma função na sua gestão?
Picoli - Preciso deixar claro que estou aqui por causa dele. Foi o Sandro que me trouxe. Portanto, se ele quiser, terá lugar. Não sei onde. Aliás, parece que existe uma proposta profissional para ele e ainda não conversamos sobre isso.
VS - E o supervisor de futebol Luís Fernando Bavaresco. Ele continua?
Picoli - Também continua. Está fazendo um estágio no Goiás e devo contar com ele.
VS - Quais seriam os outros nomes para o futebol?
Picoli - Vou pensar nisso somente a partir de outubro. Vou estar fazendo contato, mas só divulgarei quando estiver tudo acertado.
VS - Fala-se em uma possível troca de estádio. Qual sua opinião?
Picoli - Não gosto muito de falar nisso. Se houvesse uma empresa que viabilizasse um arena para nós, em um lugar de fácil acesso, quem sabe. Seriam menos gastos, mas por enquanto prefiro trabalhar com fatos e não com boatos.
VS - A última gestão foi marcada por brigas. Como lidar com as diferenças?
Picoli - Só trazendo gente da sua inteira confiança. É o que eu estou fazendo. Na gestão passada, nem eu fazia parte e acabei entrando no meio do caminho.
VS - Como dividirá sua vida profissional com o presidência do clube?
Picoli - É simples. Colocarei pessoas capacitadas em cada área. Minha ideia é vir para o clube uma vez por dia. Quem quiser falar comigo deverá agendar. Claro, se for algo importante não há problema, mas é assim que quero dividir as duas coisas.
VS - Como você lida com as críticas da imprensa e torcedores?
Picoli - Sou uma pessoa tranquila. Sempre trabalhei. Minha intenção é colocar o Aimoré de volta entre os grande. É difícil, pois se fosse fácil, o Glória, Brasil de Farroupilha e outros clubes com poder aquisitivo maior já estariam entre eles. O Cruzeiro levou 32 anos, o Lajeadense 12. Agora conseguiram. Então, é trabalhar sério e com transparência.
24 junho, 2010
Aimoré antecipa eleições, mas está fora da Copa FGF
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