Lição do clássico
Diferente de alguns colegas de imprensa, que não gostaram do clássico de número 75, pois acharam fraco tecnicamente, eu achei um confronto bem interessante entre Aimoré e Novo Hamburgo. Deu para ver que a equipe do técnico Edinho Costa encontrou um padrão de jogo e tem evoluído a cada partida. Acho que no final o empate acabou sendo o resultado mais justo, pois não houve uma supremacia muito grande entre as partes. A lição que fica é que o índio está conseguindo unir o útil ao agradável: formou um time que empolga o torcedor e ao mesmo está conseguindo aproveitar os meninos. Foco inicial quando anunciou que disputaria a copinha.
Soluções caseiras
Pouco a pouco Edinho está encontrando o equilíbrio, principalmente quando recorre à base. Os meninos têm dado muito mais que resposta, têm se tornado a solução de muitos problemas. Primeiro foi o jovem Douglas Mã, que entrou para resolver uma situação eminente e acabou ficando pela lateral. Agora o menino Dimitri, que foi uma aposta da direção - o atleta estava na base do Cidreira - e em dois jogos parece que já garantiu o seu lugar na equipe principal. No sábado, sobrou em campo. Além desses dois, o técnico ainda tem no grupo vários outros meninos bem interessantes. O zagueiro Wagner, o meia Renan e o atacante Tiago Selbach. Todos com muita qualidade e só aguardando o sinal verde do comandante.
Respeito mútuo
Foi um clássico de muito respeito. Mesmo sendo o líder da competição, o Novo Hamburgo não entrou em campo para resolver o jogo nos primeiros minutos de partida. Ficou esperando o Aimoré para saber que tipo de proposta o índio iria impor. A equipe do técnico Edinho também estudou muito o seu rival. Como já era esperado as disputas mais acirradas foram no meio campo. Tentar vencer o inimigo neste setor era sinal de vitória. A missão era mesmo anular os articuladores das equipes. Tarefa muito bem cumprida por sinal. O próximo passo foi aproveitar os erros. A primeira ordem deu certo, a segunda nem tanto. Por isso, para algumas pessoas, o clássico foi sem graça, morno, pois se faltou emoção, sobrou marcação.
Como foram
Paulo Roberto: Mais uma vez estava atento no jogo. No sábado deu apenas um susto, quando ficou no meio do caminho em uma saída de bola. Cheguei até conversar com ele sobre isso. A justificativa foi a mesma que pensei na hora. Corria o risco de não chegar a tempo na jogada e acabar sofrendo o gol.
Douglas Mã: Já se soltou bem mais. Talvez no futuro seria interessante fazer um trabalho para criar massa muscular. Quando vai para o confronto físico acaba perdendo a disputa pela estatura física. No mais está muito bem.
Márcio Nunes: Jogou demais. Faz uma leitura excepcional das jogadas. Acho apenas que não precisa levantar o pé quando rebate uma bola. Sei que era o calor do jogo, mas corre o risco de levar um cartão se atingir o adversário.
Sefrin: Juntamente com o Márcio foi quase perfeito. Acabou pecando na falta que ocasionou o gol. Não precisa tê-la feito. Já tinha o controle da bola.
Ismael: Fez o gol e colocou uma bola na trave em excelente cobrança de falta. Acho que poderia ter participado mais da partida. É uma ótima alternativa pelo lado esquerdo, precisa ser acionado mais vezes.
Rangel: É um guerreiro. Tipo de jogador que se entrega para a equipe. Marca forte, sai para o jogo e não foge da briga. Uma pena a expulsão. Mas foi um exemplo de atitude. Na Segundona deste ano, também faltou atleta assim no grupo.
Dimitri: O melhor em campo. Jogou como gente grande. Mostrou personalidade e muito qualidade.
Thiaguinho: Já fez mais em outros jogos, mas faz o que o técnico pede.
Chiquinho: O mais apagado em campo. Ficou preso na marcação e não conseguiu fugir dela.
Alê: Tem feito um trabalho diferenciado no ataque. Além de ser um goleador, hoje virou garçom. O gol do Aimoré mostra bem isso. Recebeu e colocou o Bill na cara do gol. Jogadas repetidas muitas vezes nos outros jogos.
Bill: É um jogador diferenciado. Nota-se isso ao chutar, dominar e se posicionar quando recebe a bola. Parece que não vai chegar, mas chega com qualidade e muita habilidade. A jogada do gol inicia e termina com ele.
Dênio: Entrou bem. Em poucos minutos fez mais que Chiquinho.
Edinho: Já dá para ver que seu time tem a cara do técnico. Pouco a pouco está encontrando sua melhor formação ou pelo menos aquela mais próxima do que pensa. Em 16 dias acertou praticamente quase todos os setores. Demorou um pouco mais para encaixar os homens do meio. Mas parece que já encontrou os nomes. Agora é a manutenção.
13 setembro, 2011
Coluna Arquibancada do dia 13 de setembro
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